Inside Man - "O Infiltrado"
“Inside Man” começa ao som de ''Chaiyya Chaiyya Bollywood Joint'' de Sukhwinder Singh, Sapna Awasthi e Panjabi MC. Uma carrinha de pintura move-se nas ruas de Nova Iorque e estaciona em frente do Manhattan Trust Bank em Wall Street. Dela saem quatro pessoas vestidas de pintores, de óculos escuros e fatos de macaco. Assim que entram no banco, tomam conta do balcão controlando rapidamente empregados e clientes e instigando o medo entre os reféns.
Os dois detectives encarregues de proceder às negociações, Keith Frazier (Denzel Washington) e Bill Mitchell (Chiwetel Ejiofor), pensam poder resolver a situação com alguma facilidade, mas, depois de avaliar a situação com o capitão John Darius (Willem Dafoe), dão-se conta de que estão perante alguém que sabe o que está a fazer. E este não é um assalto normal. Aliás, os ladrões, liderados por Dalton Russell (Clive Owen) parecem estar muito pouco interessados no dinheiro existente nos cofres do banco. Entretanto, o presidente do banco (Christopher Plummer) contrata os serviços de Madeleine White (Jodie Foster), uma mulher que move influências e favores de altos membros do governo com a maior das discrições. E parece que este banqueiro tem algo a esconder.
Pela primeira vez, Spike Lee filma um argumento que não é seu, mas do estreante Russell Gewirtz, e depois do medíocre “She Hate Me” (2004), sabe bem vê-lo de novo na boa forma de “25th Hour” (2002).
Apesar de “Inside Man” fugir aos habituais manifestos de Lee, tem subjacente uma raiva socio-política que se reflecte na urbana confusão de identidades (entre Albaneses e Arménios, entre Sikhs e Arabs).
Com um elenco de excepção (Que bom ver Jodie Foster como uma arrogante manipuladora! E que pena Clive Owen estar a maior parte do tempo tapado!) e a belíssima fotografia de Matthew Libatique, “Inside Man” é um filme deliciosamente enganador, inteligente, dramático e credível. A acção do roubo é intercalada com flash-forwards dos interrogatórios feitos aos reféns já depois destes terem sido libertados pelos ladrões. Estas pessoas (como representantes de uma sociedade) passam da ameaça dos criminosos à pressão da polícia que suspeita do seu envolvimento no assalto, permanecendo num estado de permanente medo e defesa.
O bem construído argumento revela-se no jogo psicológico que se produz entre as personagens de Washington e Owen. E o bom ritmo deste filme de polícias e ladrões mantém o suspense até à última cena. No final desenha-se um estranho círculo de retorcida justiça, mas a dúvida permanece sobre quem é o verdadeiro infiltrado desta história
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